domingo, 5 de junho de 2011

Epifanias

As mãos eram tão finas. E não eram minhas próprias mãos. O sorriso era lindo. Conseguia ver, mesmo não vendo o resto do rosto. A barba era fina e não me espetava. Os cabelos eram grandes e encaracolados. Não lembro da cor dos olhos, não lembro do tamanho da boca. Lembro da pele clara, da voz rouca e do beijo que não consegui receber por causa da minha distração. O toque era suave e conseguia me arrepiar. Me lembro de estar triste, mas a nova fase do homem desconhecido me trouxe esperanças. O ambiente tinha se transformado com a presença daquela figura misteriosamente risonha, agora tudo era mais vermelho, a luz era muito forte. Eu estava feliz. Depois do beijo não dado. Das minhas juras ditas em silencio. E do meu amor desesperado. O homem começou a sorrir.
De repente a cor vermelha foi ficando cinza. A luz forte foi ficando normalmente amarelada. E o homem desconhecido disse: “Preciso ir, mas nós vamos nos encontrar por ai. Fica calmo!”. Tentei agarrar aquele vulto. Ele sumiu e todas as coisas, aos poucos, foram voltando ao normal. A dor, a solidão, o estresse, e a vontade de morrer aos poucos. Mas a esperança não era como antes, e nem poderia ser. Estou mais tranquilo. Continuarei esperando o homem do sonho fugaz, mesmo conscientemente, não sabendo nada sobre ele. Esperarei mesmo sabendo, bem lá no fundo, que esse homem sou eu. Talvez esse homem nem exista... Mas continuarei esperando. Até que ele chegue em um dia comum. Como uma pessoa comum. Me trazendo rosas brancas e dizendo que me ama.

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