terça-feira, 20 de março de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Aos que sentem fome

As pessoas sentem fome. As pessoas escondem a fome. As pessoas morrem de fome. Precisamos de vitaminas, minerais e fíbras. Nosso corpo pede, nosso corpo precisa. Quando ingerimos algum alimento com deficiência de vitaminas, por exemplo, continuamos sentindo fome. Falta algo. Continuamos comendo pois ainda sentimos fome. Comemos sem gostar. Comemos apenas para saciar nosso desejo. Ninguém gosta de sentir fome, ninguém nasceu para sentir fome.
Se a comida não existisse a fome também não existiria. É culpa dessa maldita necessidade de devorar. Nos ensinaram que sentir fome é ruim, nos ensinaram a procurar nosso próprio alimento; nos ensinaram que não é possível ser feliz com a fome. É essa necessidade que mata aos poucos.
Algumas pessoas conseguem conviver com a fome. Algumas pessoas conseguem conviver com a dor da fome. Talvez as pessoas estejam comendo mal e, por isso, elas sentem a necessidade de comer sempre. Estão perdendo o prazer de preparar, esperar, cuidar e devorar.
Gosto de falar devorar porque é diferente de comer. As pessoas comem porque precisam saciar um desejo passageiro. Devorar não, devorar é diferente. Quem devora sente fome de verdade. Quem devora, geralmente, esperou muito por aquilo. Antes de devorar a pessoa precisou plantar, esperar, cuidar, preparar e, depois de sentir muita fome, finalmente devorar. Quem sentiu fome a vida inteira devora o que sempre quis e nunca teve. Não tenho/tenha medo de devorar.

Me perdi nisso tudo e já está amanhecendo.

domingo, 16 de outubro de 2011

Saimos a noite a procura de amor. Encontramos bêbida, pseudo felicidade e sexo. Embarcamos, chupamos e damos. Procuramos amor onde só há sexo. Encontramos dor, nojo e talvez libido. Sexo casualmente bêbado me traz uma vergonhosa ressaca. Ressaca de medo, raiva, solidão e depressão.

É deixar-se possuir
Corpo, alma e ser
Livre nessa escuridão que conhecemos
É deixar-se possuir
Por algo que te rasga
Corpo, alma e ser
Dominado por aquele prazer
De pêlos, líquido e desejo
De morte,
De liberdade
Minhas pernas se abrem
E são possuídas
Por um estranho
Que alimenta minhas dores...

sábado, 24 de setembro de 2011

Noite promíscua

Passou rápido,
Me olhou
E abaixou a cabeça
Gestos tímidos
Secos, meigos
Seu sexo já sei de cor
De cor, de cheiro
Isso mantem aquele desejo
É deixar-se possuir
Corpo, alma e ser
Livre nessa escuridão que conhecemos
É deixar-se possuir
Por algo que te rasga
Corpo, alma e ser
Dominado por aquele prazer
De pêlos, líquido e desejo
De morte,
De liberdade
Minhas pernas se abrem
E são possuídas
Por um estranho
Que alimenta dores
Seu gemido maldito
Rasgou o silêncio da noite
Sinto teu corpo
Sua alma
Sinto você e não quero
Sinto você...
E não quero

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Eu

De repente não há mais ninguém,
não há luz no fim do túnel;
não há nem mesmo um túnel.
eu estou sozinho!
talvez Deus tenha me abandonado também,
não existe mais ninguém para ouvir meus gritos.
eu estou com medo de estar errado,
medo de mim mesmo...
estou com medo do meu próprio medo.
eu estou aflito!
de repente todos se foram,
não há mais ninguém,
não há Deus.
eu tô com medo, cara!
falo sozinho com a esperança de ser ouvido,
falo sozinho esperando que minhas palavras tomem forma de oração,
falo sozinho esperando que deus me ouça
por engano.
falo sozinho...
de repente todos se foram,
estou sozinho
e não há deus!